quarta-feira, 28 de agosto de 2013

85% das Categorias pesquisadas tiveram aumento real sobre o piso salarial, no 1º Semestre de 2013

SÃO PAULO - Das 328 unidades de negociação analisadas pelo Sistema de Acompanhamento de Salários do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (SAS-Dieese), 85% conquistaram aumento real para os pisos salariais no primeiro semestre de 2013, na comparação com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o órgão, que divulgou o estudo nesta quinta-feira, 22, mesmo com um recuo em relação ao quadro registrado em 2012, quando 96,3% das categorias registraram aumento, os dados deste semestre não tiveram um comportamento discrepante em relação ao de anos anteriores.
"Em que pese o recuo observado no resultado das negociações de 2013 frente ao observado em 2012, os dados revelam que as negociações deste ano encontram-se no mesmo patamar de reajustes com ganhos reais observado nos últimos anos", diz trecho do estudo.
Por setores econômicos, o comércio liderou as negociações com reajustes acima da variação do INPC, com 98%. Na indústria, a fatia de reajustes acima da inflação foi de 85%. Já em serviços a proporção ficou em 79%.
O Dieese apontou, entre outros fatores, como possível causa da redução das negociações com ganho real, o aumento da inflação, que "resultou na necessidade de índices de reposição mais elevados, o que dificultou a negociação de aumentos reais e diminuiu a margem de ganho dos trabalhadores", pontuou a entidade. "Outro fator é o desaquecimento da economia, que vinha sendo observado desde meados do ano passado, e resultou no baixo crescimento do PIB em 2012 e na redução no ritmo de geração de empregos."
Apesar de o primeiro semestre ter demonstrado uma piora de cenário quando comparado aos resultados do ano passado, a entidade mostrou-se otimista com relação ao quadro da segunda metade do ano, em razão de fatores como a desvalorização do real, a tendência de queda da inflação e a retomada do crescimento, ainda que tímida.
DESEMPREGO
O rendimento médio do trabalhador brasileiro encolheu 0,9% em julho, a quinta queda mensal seguida e a primeira a deixar claro que, mais do que a inflação, é a piora do mercado de trabalho que está puxando os salários para baixo. Isso porque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado pelo IBGE para atualizar os valores do salários de julho, registrou deflação de 0,13%. Segundo analistas, a perda de fôlego da economia começa a aparecer na renda do trabalhador.
— Neste mês específico, a perda do poder de compra se deu em função de outros fatores. O efeito da inflação foi zero, mas não podemos deixar de levar em conta seu impacto nos meses anteriores já que a queda vem ocorrendo há cinco meses seguidos — disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Na comparação com julho de 2012, o valor médio recebido R$ 1.848,40 ainda está 1,5% mais alto, o que também ocorre quando se compara à média dos sete primeiro meses deste ano com o mesmo período de 2012.
O desemprego medido pelo IBGE para as seis maiores regiões metropolitanas do país recuou de 6% em junho para 5,6% em julho. Foi a primeira queda do ano, mas a taxa ainda ficou acima dos 5,4% registrados em julho do ano passado. O recuo do desemprego resultou de um aumento de 156 mil pessoas no total de empregados e de uma redução de só 77 mil no número de desempregados, que totalizou 1,4 milhão pessoas — número considerado estável, levando em conta o tamanho da amostra, em relação ao mês anterior.
— A boa notícia é que a taxa de desemprego finalmente inverteu a tendência e começou a cair. Normalmente isso acontece mais cedo, mas minha expectativa é esse movimento continuar daqui para frente. O ruim é a renda média, que vem caindo mês a mês por causa de um mercado de trabalho que já não está excepcional. O mais importante para o trabalhador agora é manter o emprego, mesmo que isso custe um salário comido pela inflação ou que ele entre com um salário inicial mais baixo — explica João Saboia, especialista em mercado de trabalho do Instituto de Economia da UFRJ. As informações são da Agência O Globo.

Fonte: Agência Estado – 28/08/2013

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